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Intervenção Familiar

A Educação Parental pretende preparar os encarregados de educação e pessoas da comunidade com quem a criança interage diariamente para exercerem o seu papel de cuidadores, ajudando a desenvolver as competências essenciais na criança, ou reforçando as competências adquiridas nos espaços de educação pré-escolar.

A Educação Parental, é direccionada a todas as figuras que desempenham um papel de educadores da criança (mães, pais, irmãos mais velhos, outros familiares, mães substitutas, vizinhos e outros cuidadores) e visa reforçar as suas capacidades para que sejam agentes activos do processo de educação, salientando os elementos positivos do seu comportamento e, simultaneamente, capacitando-os para ultrapassarem as barreiras emocionais e, acima de tudo, as barreiras culturais que impedem que ele possa estar equipado para estimular e ser um facilitador do desenvolvimento pleno da sua criança. Neste nível pretende-se, por um lado, garantir o reforço das competências, valores e práticas dos pais e encarregados de educação que facilitam o desenvolvimento integral e harmonioso das crianças e, ao mesmo tempo, consciencializar e incentivar os pais a abandonarem as práticas que não são benéficas para a criança.

Sendo a família o centro do processo educativo, o que a criança aprende no espaço pré-escolar vai complementar e reforçar a aprendizagem na família. A harmonia entre esfera familiar e esfera escolar é essencial para que as capacidades adquiridas na escola possam ser definitivamente integradas, como formas de saber ser, saber estar e saber fazer da criança também em casa. Pretende-se, assim, que os encarregados de educação partilhem o ambiente educativo em que o seu filho está imerso, a ética e os valores nele preconizados e, simultaneamente, integrem os seus próprios valores e boas práticas. Evitar-se-á assim, que se estabeleça um conflito entre o que a criança aprende na escola e em casa.

A Educação Parental deverá incluir, pelo menos, os seguintes conteúdos:

  • Noções sobre a Criança como ser humano portador de Direitos, com base no que é preconizado pela Convenção.
  • Reforço dos valores e princípios culturais positivos, língua e identidade, enquadrado e integrado nos princípios e normas que protegem os interesses mais altos da criança, de acordo com a Convenção dos Direitos da Criança
  • Debate sobre práticas familiares e parentais, no sentido de diferenciar, valorizar e disseminar as práticas e chamar a atenção para aquelas que constituem violações directas ou indirectas dos direitos da criança.
  • Compreensão e partilha da cultura e ética (direitos e deveres) preconizada pela pré-escola/ escola (valores, princípios e normas em que a criança está a ser educada no ambiente escolar).
  • Noções sobre Desenvolvimento Infantil, nas esferas emocional, cognitiva e social, incluindo noções básicas de como lidar com crianças com dificuldades, disfunções ou deficiências a estes diferentes níveis.
  • Noções sobre a importância da relação precoce (mãe e bebe desde a nascença) para o desenvolvimento posterior da criança.
  • Noções sobre o desenvolvimento da criança no meio pré-escolar e importância das diferentes actividades que ela leva a cabo, para o desenvolvimento harmonioso de todas as suas competências.
  • Educação relativa à importância dos espaços e tempos de descanso, lazer, divertimento, cultura e participação na vida da comunidade, por parte da criança.
  • Educação para a Saúde, incluindo noções de nutrição, alimentos e seu poder nutritivo, cuidados com a mulher grávida, cuidados a ter com o bebe e noções de primeiros socorros.
  • Educação sexual e reprodutiva, incluindo prevenção, doenças de transmissão sexual e gravidez prematura.
  • Educação Ambiental.
  • Direitos relativos a protecção da criança e educação para a prevenção contra situações de assédio, abuso (físico, psicológico, sexual), exploração laboral e tráfico.

A Educação Parental facilita a integração dos dois principais ambientes de crescimento e desenvolvimento da criança, o ambiente familiar e o ambiente escolar, criando condições favoráveis para que a criança possa formar-se e afirmar-se como indivíduo com a capacidade de usufruir e defender os direitos que lhe são consagrados na Convenção dos Direitos da Criança.

A estratégia de intervenção familiar do ZIZILE, consiste também no desenvolvimento de acções de geração de renda com os encarregados de educação ou outros membros do agregado familiar das crianças que frequentam as escolinhas comunitárias parceiras do Zizile. Nestas actividades deve dar-se prioridade aos membros do agregado que se encontram em situação de desemprego para que possam aprender um ofício e adquirir os conhecimentos e competências essenciais para desemprenhar essa actividade profissional como forma de melhorar a qualidade de vida da sua família e garantir a sua sustentabilidade.

A sustentabilidade familiar é o conceito que descreve o conjunto de medidas estabelecidas para promover o equilíbrio e o bem-estar da família, de acordo com a realidade da sociedade em que está inserida. As actividades de geração de rendimento permitem portanto, através de variadas iniciativas, ajudar membros da comunidade/famílias a evitarem condições de vida desfavoráveis e insustentáveis.

A realização de actividades de geração de rendimento permitem a capacitação dos indivíduos, partindo da convicção de que o conhecimento e a utilização das ferramentas adequadas possibilitam o desfrutar de uma condição mais elevada e de uma vida mais digna.

O ZIZILE trabalha juntamente com as comunidades, procurando motivar e envolver os indivíduos no seu próprio processo de desenvolvimento, por forma a garantir a sua própria sustentabilidade.